The undead

Jukebox: Nelly Furtado – All good things come to an end 

Relacionar-se é algo inerente à natureza humana. Temos, inegavelmente, uma tendência de nos unirmos a outras pessoas e formar grupos.

Outra faceta deste “instinto de relacionamento” é o relacionamento amoroso (OBS: os relacionamentos citados neste post podem ser casamento, namoro, ficada, ou qualquer coisa que possa ser chamada de “relação amorosa”). Seja com o propósito altruísta (de se entregar a uma relação profunda e/ou procriar), ou com o propósito egoísta (o simples medo de ficar sozinho), todos nós buscamos e desejamos um parceiro, com quem possamos trocar sentimentos e idéias (que fique claro que não estou defendendo ou criticando a monogamia… este é assunto pra outro post!).

E, na minha concepção, este é um desejo nobre, seja sedimentado no propósito altruísta ou no egoísta. Sim, porque apenas nos relacionando podemos nos melhorar, e querer se melhorar, ainda que inconscientemente, é um bom sinal. Basta imaginar um mundo só seu, uma ilha deserta habitada somente por você. Neste mundo, você não tem defeitos, afinal, não tem ninguém para apontá-los! E, portanto, não há forma de corrigí-los.

Já na luta cotidiana, com o ser humano inserido na sociedade, e, principalmente, sendo uma das metades de um casal, o panorama é bem diferente.

Sempre que fico sabendo de alguém que começou a namorar, logo me vem na cabeça uma única imagem: uma colisão de galáxias! Afinal, são duas formas distintas de criação e educação, duas hierarquias de valor, dois seres completamente diferentes e desconhecidos. Não bastasse isso, eles vão tentar viver juntos, e SE AMAR! Chocam-se dois mundos, no mínimo extremamente diferentes, e que tentam conviver. Haha, pensando dessa forma, até parece impossível…

colisao-de-galaxias.jpg

Mas calma lá que estamos nos desviando do assunto! O motivo deste post é justamente o momento em que esta convivência não dá mais.

Talvez seja uma concepção apenas minha, mas creio que uma relação amorosa é constituída de desejo, paixão, troca, cumplicidade, tesão, descobertas, enfim, algo que seja estimulante e prazeroso, em contraposição à vida tediosa e estressante, como um oásis no meio do deserto. Mas também não acho que isso surja e persista naturalmente! Após um certo tempo, o casal precisa TRABALHAR e AGIR pra manter a relação (isso também é assunto pra outros posts). A partir do momento em que algum daqueles elementos não está mais presente, creio que a relação deveria ser destituída da posição de “amorosa”. Pode se tornar uma relação de amizade, solidariedade, ou até fraternidade. Mas amorosa, não. Justamente porque, pra ser amorosa, tem que despertar entusiasmo, interesse e excitação, e se não desperta, deve abrir espaço pra outra relação tomar este posto.

Infelizmente, conheço algumas pessoas que estão nesta situação… Nós, que estamos de fora, percebemos facilmente que aquele relacionamento já atingiu seu ápice, e agora está em plena queda. O pior é que é difícil falar isso pra quem está dentro da relação “vencida”.

Não me refiro aqui somente àqueles casais que vivem brigando ou se desentendendo. Eles também estão incluídos, mas uma parcela que sempre fica excluída são os relacionamentos “mornos”, “mortos-vivos”. E relacionamento zumbi NÃO DÁ! Sim, zumbi porque é algo que todos sabem que já morreu, mas alguém insiste em arrastar por mais algum tempo.

Um dos problemas do “morno” é que ele tende a se tornar frio… e depois gelado… e isso pode destruir o que seria uma bela amizade. Mas o principal problema de arrastar esses zumbis por aí é que você desperdiça novas oportunidades de relacionamentos, os quais poderiam te fazer crescer muito mais do que conseguiu até agora. São novas pessoas, novos mundos, que só estão esperando a sua permissão pra poderem se aproximar e te deslumbrar!

Geralmente, as relações desse grupo de “mortos-vivos” são aquelas de vários anos. Ocorrem mais freqüentemente com namoros muito longos. Com certeza, você vai pensar: “Poxa, mas eu já estou com o fulano há tanto tempo… Nos conhecemos tão bem… Será que vale a pena jogar fora o que temos pra iniciar algo duvidoso?”. O que eu tenho a te falar é: o que quer que você e o fulano tinham, já foi jogado fora. Agora só tem o cadáver daquela relação. Pode até ser uma relação boa… confortável, que você esteja vivendo agora. Mas relacionamentos amorosos não existem pra serem bons. Existem pra serem ÓTIMOS.

Sei que existe o medo de ficar sozinho. E não vou negar, você até pode ficar sozinho por um tempo. Mas o prêmio pela espera vale a pena, eu sei que sim.

Eu mesmo já estive num relacionamento morto-vivo. E sei o quanto dói enterrar o corpo.

Mas a sensação de liberdade que vem depois é impagável!

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    • Bia
    • 16 de março de 2007

    Ai Du, não tive a oportunidade de comentar em seus posts anteriores, mas vale dizer que seu gosto musical é maravilhoso e coinscide bastante com o meu…

    Agora sobre seu post de hj, não poderia se encaixar meelhor numa situação que estou vivendo atualmente. Não que eu esteja no ápice de uma relação…
    Pelo contrário, nem relação eu tenho para isso, mas um casal de amigos próximos passou por esse processo e infelizmente (ou feliz) eles nao estão mais juntos.

    Ambos atingiram seus pontos altos e só o tempo dirá se o rompimento foi a melhor escolha ou não…

    Enfim, amei tudo aqui. Bjux! E atualizei nosso blog!

  1. Oi Du!
    Nossa! Só pra variar, concordo inteiramente com vc!
    Já vivi um relacionamento zumbi e terminar com ele foi muito difícil, embora, depois tenha sido como tirar um pacote de 1 tonelada das minhas costas!

    Hj, q eu estou aqui na busca de um outro relacionamento legal, confesso q às vezes me pergunto se valeu à pena ter deixado o zumbi ir embora! Mas isso me passa pela cabeça por breves segundos só de pensar qntas coisas legais eu já vivi e q naum teria vivido se ainda estivesse com ele! Teria ficado naquela msm mesmice, sem nenhuma novidade interessante, sem nada q nos movesse a sermos melhores!

    Pra variar, arrasando no post!

    Bjssss!

  2. Eu tenho tantas coisas para falar sobre este assunto que nem dá pra começar a comentar. Eu concordo com 99% do seu post. Apenas um comentário com relação a “o que quer que você e o fulano tinham, já foi jogado fora.” – tenho me questionado muito recentemente sobre as possibilidades de evitar que o relacionamento entre na “área de conforto morna”, como você descreveu, que tende a esfriar. Para uma pessoa de natureza tão questionadora como sou, isso levanta uma série de questões sobre monogamia, valores, estruturas e condicionamentos sociais e culturais, paradigmas, e por aí vai. Ainda não cheguei a nenhuma opinião conclusiva. 😉

    Em tempo, sou muito amiga do meu ex-marido, com quem fui casada por 9 anos. Acho que já éramos mesmo só amigos quando nos separamos. Quando duas pessoas se separam e sabem manter a amizade e o respeito, de fato não estão perdendo nada. Como você disse, abrem espaço para novas experiências. E não perdem o que já tinham, muito embora na maioria dos casos a percepção das pessoas seja outra. É tudo uma questão de perspectiva.

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