Arquivo de maio \31\UTC 2007

A cara metade

On the radio: “Despre Tine – O-zone

 

Conheço muita gente que está esperando pela pessoa perfeita. É triste assistir essa espera eterna, mas parece que algumas pessoas não são capazes de perceber a perda de tempo que é esperar por alguém sem defeitos.

Outros me dizem que não esperam o ser perfeito… só querem sua cara-metade. Putz… cara-metade?

Nunca gostei muito dessa expressão. Primeiro, porque parece que só temos uma. Ou seja, se você perder a tua, pode sentar e lamentar. E esses lances de chance única, eu nunca aceitei muito bem.

E ultimamente pensei ainda mais sobre isso. Será mesmo que somos incompletos dessa forma? Pensar que precisamos de um complemento influencia a nossa vida mais do que podemos imaginar.

Acho que um jeito bem melhor de encarar a vida é ter consciência de que nós somos inteiros. Sim, nós temos todas as ferramentas de que precisamos para construir a nossa felicidade. E tendo tudo, podemos construí-la sozinhos.

Mas… e o outro? Fica onde nessa história? Bom, o outro entra pra compartilhar as ferramentas dele conosco! Se o parceiro deixa de ser complementar e passa a ser suplementar, então a dependência emocional e/ou psicológica não tem motivo de existência.

Além dessa mudança alterar o modo como nos relacionamos com as pessoas, mudará o nosso aproveitamento dos relacionamentos.  A gente passa a compreender que cada um nos adiciona algo, que os relacionamentos têm um ciclo de vida, e que temos inúmeras oportunidades de nos apaixonar e agregar algo de bom na nossa vida e na vida do outro.

Pensando assim, é bem mais fácil namorar 😉

Lições pós-BBB

Jukebox: Pink – Who knew

 

Eu geralmente não acompanho o BBB. No desse ano, tive fases. Na época “Alemãoris” eu assistia bastante… Depois que ela saiu, eu não assisti mais.

Mas não estou aqui pra discutir isso. Várias vezes, lá dentro da casa, e até mesmo fora dela, as pessoas se referiam a “máscaras”. “Ah, porque o fulano é falso… a máscara dele vai cair logo, logo.” “Não dá pra esconder quem você é por muito tempo. Um dia ou outro, a máscara cai.” e outros comentários desse estilo.

E nós? Será que somos tão “autênticos” assim pra falar das máscaras alheias?

Na vida aqui fora, nós vivemos, durante o dia todo, em vários ambientes. Na rua, em casa, no trabalho, na escola… Em cada um desses lugares, nós colocamos uma máscara diferente, porque cada ambiente exige um comportamento diferente.

A questão do BBB é que dentro da casa, ninguém sabia qual máscara usar. Primeiro, que era um ambiente completamente desconhecido, sem regras e sem histórico para pautar as atitudes. Segundo, porque eles estavam neste mesmo ambiente 24h por dia! Você já pensou se tivesse que estar em “modo trabalho” o dia todo, por três meses?

Quero dizer que é saudável pro nosso equilíbrio psicológico essa troca de máscaras. Faz bem estar no trabalho e saber que em casa seu comportamento pode ser diferente. Ou que na frente de certas pessoas é melhor manter uma atitude ao invés de outra.

Alguns vão dizer: “Mas isso é falsidade!”. Eu discordo. Falsidade seria tentar esconder o que nós realmente somos. Pessoas dizem que as máscaras escondem nosso verdadeiro eu. Na minha opinião, nosso verdadeiro eu é a soma das máscaras que usamos. E todas elas nos compõem.

Então, antes de julgar as máscaras dos outros, pare e pense.

 Talvez eles também não achem a sua tão agradável.

Vai, coração burro…

On the radio: Lara Fabian – ‘Till I get over you

Aiai… estou conhecendo novos níveis de “canalhisse” masculina. rs… Pudera mesmo, afinal to começando agora, hehe. Bom.. digamos que estou, na verdade, reformulando conceitos. Eu achava que os canalhas nos usavam e depois nos mantinham… em banho maria… pra uma outra hora de necessidade. Mas me deparei com uma espécie que só pega uma vez, e depois ignora, como se nem conhecesse!

Fiquei surpreso… apesar de que já deveria imaginar que isso aconteceria. Minha irmã avisou…

Na vida, encontramos basicamente dois tipos de pessoas: aquelas que se apaixonam facilmente e aquelas que não se apaixonam facilmente. Eu, pra variar, faço parte do primeiro grupo.

Já ouviu falar de pessoas que “pegam, mas não se apegam”? Pois é… tenho uma inveja mortal delas! haha. Como eu gostaria de passar uma noite inteira com uma pessoa, sem esperar que ela me ligue no outro dia. E o pior: mesmo sabendo que o outro não vai ligar, ainda fico triste por isso acontecer. Por uns dois ou três dias, pode saber que não estou no meu melhor. Qualquer sinal, por menor que seja, já me deixa imaginando um futuro juntos… just like a stupid person would do.

Por outro lado, tenho uma ligeira impressão (ou esperança) de que nós, corações-moles, aproveitamos a vida ligeiramente mais do que os outros, os corações-gelados. Sim, porque estes últimos ficam com tantas pessoas, e se envolvem superficialmente com tantos, que, no fim, imagino que deve se parecer com “comida sem sabor”.

Já o grupo dos corações-moles se entrega de verdade. Sofremos mais, com certeza. Mas quando somos correspondidos, sentimos um grau de felicidade que os corações-gelados não imaginam.

Provavelmente, essa postura diante do “sentimento” deve ser a mesma linha que se adota perante a vida. Os corações-moles são esperançosos, sonhadores, bobos. Os corações-gelados são realistas, imediatistas, frios.

Mesmo sofrendo mais e quebrando mais a cara, eu ainda prefiro fazer parte do grupo que estou. Acho que pra ser um coração-gelado, tem que ter muita coragem.

Tanta coragem, que até parece negligência.