Arquivo de setembro \27\UTC 2007

Depressão

On air now: Estelle – Free

Vou ser sincero: eu já achei depressão uma doença boba. Quer dizer, pra quem vê de fora, vai dizer que alguém triste e desanimado não dá a impressão de ser simples preguiça da vida? É, meus caros… porém não é bem assim. Sabemos hoje que é algo sério, que tem a ver com “não sei o que” em falta ou em excesso no cérebro e tudo mais. Mas acredito que achei a cura: trabalho!

Olha só. O ser humano precisa ter um propósito na vida. Independente desse propósito ser ficar podre de rico ou ser um líder espiritual, todos nós precisamos de algo que nos impulsione e nos motive a continuar sempre em frente. Eu, por exemplo, quero morar em Londres e ser vizinho da Madonna. Hahaha. Tá bom, tá bom. Não é um sonho exemplar, mas pelo menos dá um sentido a todos os sacrifícios que eu estou fazendo agora, na esperança de que eles sirvam pra algo no futuro. E quando você perde esperança no futuro, pode-se dizer que já está a meio caminho da “Carteirinha de Depressivos Anônimos”.

Agora… imagine que você não tem mais o que fazer. Já alcançou tudo que queria (ou nunca quis nada mesmo), não se sente útil nem necessário. Enfim, um encosto. O que resta a você, pobre alma? Virar um deprimido! E não espanta que esta seja a doença do século XXI. Nunca foi tão fácil se tornar “inútil” numa sociedade como agora. Pra tudo, ou quase tudo, existe alguma máquina ou computador que evite que você se esforce. E com tanto tempo sem nada a fazer, o caminho óbvio a seguir é virar um depressivo crônico.

Mas calma! Não viremos workaholics! Não precisa ser um emprego HIIIIPER desafiador, mas algo que te faça se esforçar, física e psicologicamente, o mínimo que seja, já faz um bem danado. Se envolver algum tipo de filantropia então, fique tranquilo: já tá vacinado contra a doença. Deve ter alguma coisa a ver com a satisfação de ajudar o próximo… Em suma, vamos ocupar nossas cabeças com algo de nossa escolha, antes que a depressão a ocupe de outro jeito.

Just like grandma said: mente ociosa, oficina do diabo.

Hoje em dia…

Dancing with Madonna – Vogue

Onde a gente vai parar??? Olha só: eu já tinha ficado meio “in shock” quando ouvi um trenzinho infantil tocando Kelly Key. Eu pensava: “Putz… o que será que um ser de 5 anos entende de uma ‘Baba baby’?” Mas vá lá. Se a gente estiver  com sorte, eles nem entendem nada. Mas a pior ainda estava por vir. Hoje eu vi um trenzinho, cheio daqueles carinhas de fantasia, LOTAAADO de pirralhos, tocando orgulhosamente o tema “Piriguete”. PIRIGUETE? Pra criança? Caraaalho brow! Que que isso???

Minha geração também não é das mais normais. Eu cresci ouvindo É o tchan, Companhia do pagode e Mamonas Assassinas. Me diz: alguém ae já parou pra ouvir as letras agora que a gente já tem cérebro? Então eu te digo: são inacreditáveis! “Comer tatu é bom… que pena que dá dor nas costas porque o bicho é baixinho e é por isso que eu prefiro as cabritas.” OMG! Não espanta meu retardo mental atual!

Ver as menininhas de 10 anos dançando “piripipipipiri-gueeeete” é assustador. E você já reparou que até os bebês hoje em dia são estranhos? Não são mais bebês ou crianças… são psychokillers! Afinal, eu não acho normal uma criança de oito anos ter celular, orkut, flicker, msn e saber digitar mais rápido do que eu. Mais cedo ou mais tarde, todos vão precisar de uma ajuda VIOLENTA de terapeutas, psicólogos e tudo mais que puder consertar as cabecinhas estragadas.

Pensando bem… acho que vou mudar de profissão.

So sweet

Shouting good: Joss Stone – Tell me ‘bout it

Já tem um tempinho que eu gosto da Joss Stone. Desde que lançou “You had me”, eu ouço a voz dela e fico de cara com a potência e o timbre. Meu gosto musical é hiper-comercial (shame on me), mas adoro quando escuto algo diferente. Foi assim com a Amy Winehouse, com a Lily Allen e com a Joss também. Independente da voz, acho legal ela ter voltado com um estilo musical clássico, dando uma outra chance pra Soul music.

Daí eu tava vendo, acidentalmente, Punk’d um dia desses, e fizeram a tal pegadinha com ela. Que dó!!! Eu acredito que os artistas são pegos mesmo de surpresa, e dá pra ver algumas reações muito interessantes lá. É decepcionante ver aquela pessoa que você adora agindo de um jeito vergonhoso numa situação inusitada, mas quando o que acontece é o contrário, é muito bom. A Joss, por exemplo, teve que ficar de olho numa criança “perdida” até a mãe retornar. Primeiro que ela foi HIPER gentil com o garoto. Muito fofa mesmo. Daí o garoto destrói a loja toda (como parte da pegadinha) e a “vendedora” fica desesperada e talz. É muito lindinho o jeito que a cantora tenta controlar a situação, tranquilizando a vendedora e fazendo por onde tornar a situação menos complicada. Gostei de ver.

Quem dera se fossem todos assim!

Santa ignorância

Listening to Shakira – Rules

Defeitos, todo mundo tem. Muitos desses são completamente aceitáveis/suportáveis. Eu descobri que um deles é completamente inaceitável: ignorância. Caraca! Quer coisa mais broxante do que o cara escrever “se tu quiZer”???? Tudo bem que eu não sou o maior expert em língua portuguesa… mas certas coisas dependem apenas da pessoa aprender ou não. E quando ela escolhe não aprender, perco totalmente o tesão.

Tô falando na questão “atração/tesão”. Claro que não corto amigos só porque eles não sabem escrever. Mas eu me recuso a namorar alguém que não tenha o mínimo interesse pela língua. Talvez seja porque isso reflete uma falta de leitura crônica.

Acho que sei porque tenho essa paranóia com escrita. É inegável que escrever bem é o primeiro passo da inteligência. E como eu gosto de homens mais velhos, é meio complicado compreender que eu, sendo mais novo, saiba mais do que ele em certos aspectos. Fica parecendo que o ser não tem interesse em crescer ou aprender sempre.

E sem aprender sempre, não dá.

Papo de facul

Rocking: James Blunt – 1973

Ouvi, sem querer, essa conversa hoje:

A: Nossa… será que a cidade X tem aeroporto?

B: Eu acho que não. X é muito pequena!

A: Ué… e daí?

B: Ué que o avião passa pela cidade, e nem dá tempo de parar!

A: Dâaarrr! É só ele parar e dar a ré, neh?

Depois dessa eu pensei que dormir seria melhor… e foi o que fiz. Eis que, quando acordo, as mesmas duas pessoas estavam conversando.

B: Hum… primeira vez de mulher deve doer, né?

A: Não sei das outras, mas comigo doeu. Acho que foi porque meu hífen(sic) rompeu…

Como isso entra numa faculdade???

Pátria amada, Brasil!

Pra ver se acha um rumo: Marjorie Estiano – Sem direção

Decepção. Acho que não há outra palavra pra descrever o sentimento que todos nós devemos nutrir por esse país que nos pariu. A gente pode dizer que a culpa é do governo que não trabalha direito, que é a mídia que aliena a população, que é a elite que explora o povo, mas sabe o que dói perceber? Que a culpa é nossa… toda nossa e nossa. Não me excluo dessa contagem. Eu sei que sou hiper-apático politicamente, mas me incomoda pensar que, dessa forma, estou sendo conivente com tudo isso que eu não concordo.

Dia desses, eu tava numa rodinha lá na faculdade e a galera tava discutindo sobre patriotismo. Ânimos exaltados, discussão acalorada. Um deles dizia que não era patriota, os outros tentavam colocar um pouco de esperança no peito do indivíduo, eu só ouvia. Pouco a pouco, eu fui me convencendo com os argumentos do garoto. Nós nunca lutamos numa guerra séria por nossos ideais (ainda que guerras sejam cruéis e injustificáveis, uma nação só se forma depois de estar em uma, infelizmente. Não sei exatamente o porquê, mas parece que é na batalha que o povo encontra o ponto de união que vai manter uma Pátria de verdade, ao invés de um simples aglomerado de pessoas). Nós não nos valorizamos (o Brasil se vende a todo momento, e por qualquer quantia. Discorda?). Nós não temos cultura própria (só um exemplo: a Europa tem os romanos, os gregos, os celtas, os bretões, os gauleses… e todos esses povos deixaram marcas que os europeus se orgulham de mostrar. E o Brasil? Tem o que? Cadê a cultura indígena e o nosso orgulho por ela? Inclusive eu ajudo com essa indiferença toda… e como ajudo! É triste!). A gente simplesmente não tem motivos pra ser patriota, porque não existe a tão falada “Pátria amada, Brasil”. Nem a independência do país foi feita por um brasileiro, dá pra ter uma idéia do resto. Somos simplesmente um monte de gente que, por acaso, nasceu no mesmo território. Triste de constatar. E eu sou muito a favor da globalização cultural sim. Acho que vai ser lindo quando todas as culturas tiverem um toque de outras culturas. Mas nós já somos um Frankenstein de culturas! Onde vai ficar a NOSSA contribuição?

E a solidariedade brasileira? Não somos um povo festivo, alegre, solidário, amigo? O problema é que nossa alegria é excessiva e desmedida, nossas festas não têm razão de ser, nossa amizade é preconceituosa e nossa solidariedade é restrita. O brasileiro se preocupa com ele, com a família dele, e com os amigos dele. O outro, desconhecido, que arrume uma família pra cuidar dele (não parece uma coisa “Família Soprano”?). O maior exemplo disso tá no nosso governo. Todo mundo que entra na Administração Pública do Brasil já vai com essa mentalidade: pegar o máximo possível pra garantir o seu sustento e o de seus protegidos. Que tipo de país pode se manter, se os próprios governantes estão olhando pro próprio umbigo? A voz pública se diz revoltada! Mas será que, se estivesse mesmo revoltada, não faria algo a respeito?

E você? Faria diferente no lugar deles?

Simplesmente envergonhado…

It’s not worth it.

Curtindo Colbie Caillat – Midnight bottle

Outro dos paradoxos humanos: a briga. Qualquer tipo, desde pequenas discussões até pancadarias de estádio de futebol. São sempre inúteis e extremamente prejudiciais aos nossos relacionamentos e a nós mesmo. É um paradoxo porque a pessoa alvo de nossa cólera está sempre dentro de dois grupos muito grandes e distintos: ou é alguém muito importante ou é alguém muito insignificante pra merecer aquela descarga de stress. Quando se trata de explodir com alguém, não há meio-termos, e quem ouve sempre está em um desses grupos. Agora é pensar se vale a pena machucar alguém que é tão importante pra nós ou nos desgastar com alguém que não tem a mínima influência na nossa vida.

Tem gente que usa a ira como terapia. Chega em casa depois de um dia estressante de trabalho e desconta toda a pressão na família. Dá um tempo, né? Tá precisando aliviar o stress? Procura um terapeuta, meu bem! Imagina o ciclo: o chefe briga com o funcionário, este briga com a mulher, esta briga com os filhos… e então? A gente deixa que as crianças se virem pra administrar toda essa carga? No way.

É um exercício complicado e que exige tempo e determinação, mas controlar ataques de ira é possível e faz um bem danado. Além de tomar um bom tempo na solução do problema que causou a explosão, causa estragos em volta. Então da próxima vez que você estiver à beira de um ataque de nervos, pára, respira, e pensa bem se vai valer o desperdício de tempo e energia. Quem sabe, daqui a um tempo, você não vira um mestre zen?

Ou quase!

 

EDIT: Sabe qual técnica é otima? É o seguinte: você arruma um travesseiro, daí enfia a cara nele e grita TODOS os palavrões que você conhece… mas é berrado mesmo, e todos os palavrões do mais light ao mais horrível. Eu garanto que melhora os nervos. Se não for pela descarga de raiva, com certeza você vai rir da loucura que acabou de fazer. Se tiver alguém te vendo então, 200% mais de eficiência.