Arquivo para novembro \11\UTC 2010

Ateísmo

Criticando com The Asteroids Galaxy Tour – The Sun Ain’t Shining No More 33Hz Remix

 

É, eu sei que até a última vez que eu postei aqui eu era espírita. A coisa é que eu não sou mais.

A questão é que andei lendo umas coisas por aí, e depois disso a idéia de um deus me pareceu muito… desnecessária. A trajetória de deus, nesses últimos 300 anos de estudos científicos, só fez perder espaço na vida cotidiana. A cada dia, menos e menos fenômenos exigem o sobrenatural como explicação. O que, convenhamos, nunca foi explicação. Era apenas um adiamento, porque entre não saber como o universo surgiu e dizer que deus o criou, não muda muito a brincadeira pra nós.

Aí você vai dizer “Mas a ciência tem muitas falhas! Como você pode abrir mão da religião por algo assim, tão falho?”. Bom, entre as formas que nós temos de obter conhecimento, estão: a autoridade, a tradição, a revelação e as evidências. Sabemos que os dados empíricos podem sim nos levar, temporariamente, a erros. Mas você consegue apontar algo mais confiável do que evidências? “Porque alguém falou” (autoridade), “porque se acredita nisso há muito tempo” (tradição) e “porque o fulano SENTE que sabe alguma coisa” (revelação) são frágeis por demais para embasar qualquer tipo de conhecimento.

No fundo, venho acreditando que até a idéia de “religião” é prejudicial. De forma geral, a religião não incentiva o pensamento crítico, levando as pessoas a acreditarem em explicações mágicas pros eventos naturais, além de promover o ódio, a xenofobia, a homofobia, o machismo e outras coisinhas nem um pouco legais.

Sim, tem a moral. Oh, como viveremos sem a moral da religião? E aí eu te digo que sua moral não vem da religião. Você pode achar que sim, mas uma análise mais profunda nos mostra que é possível apontar as coisas boas e ruins da Bíblia, por exemplo. Então, se a Bíblia é o seu parâmetro do que é bom e mau, como você pode indicar erros no próprio padrão? Seria como mostrar uma pessoa e dizer que ela é alta ou baixa em relação a ela mesma!

Então a simples capacidade de julgar moralmente a sua religião mostra que seu padrão moral não vem dela, vem de outro lugar. O qual, te admito, não sei qual é (há indícios de que nossos padrões morais são fruto da evolução biológica).

E este é outro ponto importante: não crer em deus não quer dizer que eu, ou qualquer outra pessoa, saiba de tudo. Pelo contrário! É justamente a postura honesta de dizer “OK, não sei como isso funciona. Vamos pesquisar?” ao invés da postura deveras preguiçosa e anti-realista de “Um ser superior, fora de nossa compreensão, fez isso. Não nos cabe questionar.”

É um pouco mais trabalhoso, mas você tem alternativa?

Que fazer?

Melancólico com Christina Aguilera – You Lost Me

Apesar de estar comigo há oito meses, ele continua a fazer sexo virtual com desconhecidos e procurar por novos contatos pra esse fim. E ele grava essas cenas.

Oito meses. E só recentemente vim a descobrir isso.

E agora? Como é que, depois de todo esse tempo de “Estou com sono, vou pra cama”, hora em que aproveitava pra ir satisfazer seus desejos com outros caras, como eu vou acreditar no que ele diz? Essa sensação de ter sido mentido por tanto tempo, traído, é muito amarga. Logo eu, tão fechado pra todo mundo, quando deixo um entrar, me machuca desse jeito tão… peculiar.

Conversamos, claro. Ele admitiu que acha isso errado e que não quer me perder, e que está disposto a abrir mão desses hábitos. Mas eu posso mesmo acreditar? Como? Como eu vou saber se ele está mesmo comprometido conosco ou se está só ocultando seu vício virtual da minha vista? Tremo, intimamente, toda vez que ele repete “Estou com sono, vou pra cama”.

E fico buscando sinais de que ele está falando a verdade ou mentindo. E os encontro. Músicas iniciadas em alta madrugada, entradas em rede social 2h depois de me dizer que estava indo dormir… Mas e aí? Sou eu que estou sendo paranóico ou ele que abusa da minha confiança?

No fim das contas, nem sei se estou com ele porque o amo ou porque sou carente. Eu gosto dele, mesmo, e não duvido que ele goste de mim. Acho que nosso término seria bastante doloroso pra ele. Mas vai que, depois do estrago feito, eu descubra que gostava mesmo dele, e aí? E se esse término se mostrar doloroso pra mim?

Tantas perguntas e eu não se como agir. Eu não quero ser mais uma daquelas pessoas psicóticas que fica checando cada passo do namorado, mas é nisso que venho me tornando.

Se você já tiver passado por algo parecido e souber me dizer se essa sensação de desconfiança é temporária ou se nunca vai acabar e é melhor eu cair fora de uma vez, por favor, me diz.

Porque, no momento, sou todo ouvidos.