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Ateísmo

Criticando com The Asteroids Galaxy Tour – The Sun Ain’t Shining No More 33Hz Remix

 

É, eu sei que até a última vez que eu postei aqui eu era espírita. A coisa é que eu não sou mais.

A questão é que andei lendo umas coisas por aí, e depois disso a idéia de um deus me pareceu muito… desnecessária. A trajetória de deus, nesses últimos 300 anos de estudos científicos, só fez perder espaço na vida cotidiana. A cada dia, menos e menos fenômenos exigem o sobrenatural como explicação. O que, convenhamos, nunca foi explicação. Era apenas um adiamento, porque entre não saber como o universo surgiu e dizer que deus o criou, não muda muito a brincadeira pra nós.

Aí você vai dizer “Mas a ciência tem muitas falhas! Como você pode abrir mão da religião por algo assim, tão falho?”. Bom, entre as formas que nós temos de obter conhecimento, estão: a autoridade, a tradição, a revelação e as evidências. Sabemos que os dados empíricos podem sim nos levar, temporariamente, a erros. Mas você consegue apontar algo mais confiável do que evidências? “Porque alguém falou” (autoridade), “porque se acredita nisso há muito tempo” (tradição) e “porque o fulano SENTE que sabe alguma coisa” (revelação) são frágeis por demais para embasar qualquer tipo de conhecimento.

No fundo, venho acreditando que até a idéia de “religião” é prejudicial. De forma geral, a religião não incentiva o pensamento crítico, levando as pessoas a acreditarem em explicações mágicas pros eventos naturais, além de promover o ódio, a xenofobia, a homofobia, o machismo e outras coisinhas nem um pouco legais.

Sim, tem a moral. Oh, como viveremos sem a moral da religião? E aí eu te digo que sua moral não vem da religião. Você pode achar que sim, mas uma análise mais profunda nos mostra que é possível apontar as coisas boas e ruins da Bíblia, por exemplo. Então, se a Bíblia é o seu parâmetro do que é bom e mau, como você pode indicar erros no próprio padrão? Seria como mostrar uma pessoa e dizer que ela é alta ou baixa em relação a ela mesma!

Então a simples capacidade de julgar moralmente a sua religião mostra que seu padrão moral não vem dela, vem de outro lugar. O qual, te admito, não sei qual é (há indícios de que nossos padrões morais são fruto da evolução biológica).

E este é outro ponto importante: não crer em deus não quer dizer que eu, ou qualquer outra pessoa, saiba de tudo. Pelo contrário! É justamente a postura honesta de dizer “OK, não sei como isso funciona. Vamos pesquisar?” ao invés da postura deveras preguiçosa e anti-realista de “Um ser superior, fora de nossa compreensão, fez isso. Não nos cabe questionar.”

É um pouco mais trabalhoso, mas você tem alternativa?

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Reflections

 Singing with Colbie Caillat – The little things

(Ih… o post de hoje vai ser muito grande! Adoraria que vocês lessem e comentassem, mas sintam-se à vontade.) Me perdoem os conformados, mas eu adoro discutir religião. Não pra convencer ou ser convecido de nada. Acho fantástico o simples fato do ser humano parar pra pensar em algo maior que ele. É um oásis em meio a tanto egocentrismo. E debater religião é uma forma de incitar esse pensamento mais elevado.

No primeiro post sobre isso, Chico trouxe uns questionamentos interessantes (leia o comentário pra entender o post… ele é muito baseado no que o Chico disse). Eu ia responder em comentário, mas achei que ia dar um artigo legal. (Obs.: Hoje eu falo sobre o básico. Em outros posts a gente discute cada tema com mais profundidade).

  • Não acho que religiões vieram pra dividir. O ser humano tem tendências separatistas, e as religiões infelizmente estão impregnadas desse caráter, mas o fundamento delas não é exaltar essa divisão, e sim criar uma forma do indivíduo se relacionar com o que ele julga ser maior.
  • Partindo da premissa de que a alma é eterna, ter cometido o erro em 1.900 D.C ou em 10.000 A.C. não faz diferença. Afinal, o que são 50 mil anos pra um tempo infinito? Além disso, disseram que a carta era inexistente. Então o erro pode ser mais recente. (Tese interessante: será que o tempo anula os erros?)
  • Se é lamentável pensar que ele foi punido por algo que fez muito tempo atrás, mais angustiante ainda seria imaginar que ele morreu por ACASO. “Ele teve o infeliz azar de cruzar com esses criminosos, que destruíram sua vida, por simples falta de sorte de estar naquela rua, naquele dia.” Será que só eu percebo o absurdo de imaginar tantos eventos trágicos ocorrendo por simples azar? Se o acaso governa tudo, então nada tem sentido! Injusto é pensar que milhões de crianças morrem de fome e frio, milhares de mulheres são estupradas, bilhões de coisas ruins acontecem, e não há causa pra tudo isso. Isso sim é injusto, essa crença no acaso que é lamentável.
  • É patente que esses países citados (Suécia, Dinamarca, Noruega) estão num grau de evolução diferente do Brasil e dos países africanos. Dá pra ver que os problemas que eles enfrentam são muito diferentes dos nossos. Eu, particularmente, acho que são, sim, mais evoluídos. Mas isso é só um “achismo”, sem fundamento.
  • A questão não é que existem lugares de punição. A questão é que as almas no mesmo estágio evolutivo preferem a companhia umas das outras (você mesmo não prefere estar entre iguais?). Então elas formam grupos. É obvio que as almas que passam por problemas semelhantes podem ajudar umas às outras de um jeito muito mais eficaz. Vide Alcoólicos Anônimos e todos esses grupos de apoio. Não é que o Brasil está predestinado a ser um lugar de punições. É que as almas em punição preferem se aglomerar aqui (e se todos nós somos brasileiros, nossa situação não é diferente).
  • Além disso, forçar uma alma atrasada a conviver com almas evoluídas traria desconforto pra ambas as partes. Imagine como se sentiria a Tati Quebra-Barraco na presença da Princesa Diana! Se esse desconforto existe quando a diferença é simplesmente material, dá pra ter uma idéia de como deve ser quando a diferença é espiritual, né?
  • “Então prá(sic) que votar, ser honesto por um Brasil melhor, se aqui é a terra das punições?” Bom… não é porque você tá na lama que tem que agir como porco, né? O Brasil vai melhorar quando as almas que vivem aqui decidirem DE VERDADE que desejam algo melhor. Enquanto a situação for “tá ruim, mas tá bom”, vai continuar assim do jeito que está. Perceba só como estamos todos no mesmo nível: todo mundo reclama da violência pública. Mas quando alguém te fecha no trânsito, você não buzina e xinga? Apesar de reclamar da corrupção no governo, quantas vezes você já furou uma fila? Claro que são níveis diferentes, mas a essência do erro é a mesma. A sociedade só extravaza o que cada um de nós faz de pouquinho em pouquinho.
  • A evolução é individual. Então se você faz a sua parte, com certeza receberá a sua recompensa, independente de onde se encontra. Make no mistakes: os criminosos suecos sofrerão do mesmo tanto que os criminosos brasileiros.
  • A lei de causa e efeito  é, realmente, a Lei do Talião (olho por olho, dente por dente). Mas tem um foco diferente. Na Lei do Talião, VOCÊ é o veículo da justiça para o OUTRO (o outro te rouba, você corta a mão do outro). Na Lei de causa e efeito, cada um é seu próprio veículo de justiça (e, portanto, cada um caminha no seu próprio ritmo).
  • “Divino seria um ser desencarnado, que foi muito mal, voltar e se tornar um rico e honesto empresário milionário e gerar milhares de empregos. Isso sim é reencarnação com um objetivo de ajuda ao próximo.” Aí a gente esbarra em outra questão: o livre-arbítrio. O indivíduo que que ser “muito mal” tem o direito de ser assim. Aqui cabe uma analogia interessante: não adianta quantas vezes você disser pra uma criança “Não coloque os dedos na tomada.”, ela só vai aprender que não pode quando enfiar os dedos na tomada e descobrir que aquilo é ruim. O mesmo acontece com as pessoas “muito más”. Elas precisam descobrir por si mesmas que o mal não compensa e que só traz sofrimento. Enquanto o indivíduo não estiver preparado pra esse entendimento, de nada adianta dizer que o mal é ruim.
  • Outro princípio fundamental: morte não muda ninguém. Se você é “malzinho” encarnado, será “malzinho” quando desencarnar. Então não tem como o desencarnado “muito mal” se transformar em uma pessoa “honesta” por passe de mágica. Pode até ser que essa alma venha numa próxima encarnação como uma pessoa milionária. Mas daí a ser um “honesto empresário e gerar milhares de empregos”, só vai depender da vontade dela. Toda reencarnação tem o objetivo de ajudar o próximo (o que é, no fim das contas, ajuda a nós mesmos). Nós que não seguimos esse objetivo (graças ao livre-arbítrio).
  • Aí você pode pensar: “Poxa… mas então o livre-arbítrio só nos atrasa!”. Pode ser… mas se Deus quisesse que fôssemos todos perfeitos, nós seríamos, né? The point is: se Deus nos faz perfeitos, o mérito disso é Dele. Se nós nos aperfeiçoamos por vontade própria, o mérito é nosso. 😉
  • Nem todo mundo que morre em um mesmo evento cometeu erros entrelaçados e/ou conexos. Pode ser que sim, mas pode ser que não. Um enfarto pode ter inúmeras causas, desde simples exaurimento da energia vital até um suicídio indireto. No fim das contas, isso nem nos interessa… Diz respeito exclusivamente àquela alma, e ela entende (ou entenderá) o porquê das provas que passou.

Ufa… hoje foi demais! Hehe… e os comments discordantes (e concordantes também) ganharão um post de resposta, só pra tornar o debate mais rico.

Pense nisso.