Arquivo de março \28\UTC 2007

Heroes!

Listening to Lily Allen – LDN 

  

Heroes

Olá, pessoal!

Bom… pra variar, eu também entrei na onda de Heroes.

Comecei a ver o primeiro episódio, todo “dono de mim”… acreditando mesmo que ia sair ileso dessa experiência… rsrs, o resultado? Em uma só sentada vi 5 episódios!

Cara… nem eu acreditei no que estava fazendo! Mas foi impossível parar de assistir!

A história envolve de uma forma que, pelo menos pra mim, não é apelativa, mas que é muito estimulante e cria uma imensa expectativa em saber o que vai acontecer. Já ouvi dizerem que essa série se parece muito com “Lost” (algo que eu nunca vi, exatamente por medo de gostar demais, hehe – coisa de louco mesmo). Além disso, cada episódio faz diferença e caminha em direção à solução dos problemas, algo bem diferente das novelas brasileiras, que enrolam daquele tanto!… Então é possível ver o progresso do enredo, e isso é demais!

O que eu achei mais interessante é que, apesar de parecer muito com X-Men, a série mostra os personagens mais humanos… mais próximos da realidade. Eles não têm nomes-fantasia, nem roupa especial. Suas habilidades são mostradas como algo natural, da mesma forma como algumas pessoas têm um dom pra música e outras têm pra matemática. E a gente acompanha a descoberta e o desenvolvimento dessas habilidades, o que cria um certo vínculo com os personagens

Uma coisa que é muito engraçada em mim é que eu sempre levo coisas relacionadas a super-heróis pro lado homossexual. Haha, não, não acho que todos os heróis são gays!

Mas pense um pouco: os conflitos que eles enfrentam não são os mesmos que os gays? A dúvida em contar ou não… o medo da rejeição… o peso de ser discriminado por causa de algo alheio à própria vontade… Essas são situações constantemente presentes no “cotidiano homossexual”, e que todos nós enfrentamos um dia ou outro.

Bom… gay ou não, acho que esta série faz refletir. Sobre as diferenças, principalmente.

OBS: Ah, a Niki é a melhor!!!  kkkk

Então, quais são as suas habilidades?

The undead

Jukebox: Nelly Furtado – All good things come to an end 

Relacionar-se é algo inerente à natureza humana. Temos, inegavelmente, uma tendência de nos unirmos a outras pessoas e formar grupos.

Outra faceta deste “instinto de relacionamento” é o relacionamento amoroso (OBS: os relacionamentos citados neste post podem ser casamento, namoro, ficada, ou qualquer coisa que possa ser chamada de “relação amorosa”). Seja com o propósito altruísta (de se entregar a uma relação profunda e/ou procriar), ou com o propósito egoísta (o simples medo de ficar sozinho), todos nós buscamos e desejamos um parceiro, com quem possamos trocar sentimentos e idéias (que fique claro que não estou defendendo ou criticando a monogamia… este é assunto pra outro post!).

E, na minha concepção, este é um desejo nobre, seja sedimentado no propósito altruísta ou no egoísta. Sim, porque apenas nos relacionando podemos nos melhorar, e querer se melhorar, ainda que inconscientemente, é um bom sinal. Basta imaginar um mundo só seu, uma ilha deserta habitada somente por você. Neste mundo, você não tem defeitos, afinal, não tem ninguém para apontá-los! E, portanto, não há forma de corrigí-los.

Já na luta cotidiana, com o ser humano inserido na sociedade, e, principalmente, sendo uma das metades de um casal, o panorama é bem diferente.

Sempre que fico sabendo de alguém que começou a namorar, logo me vem na cabeça uma única imagem: uma colisão de galáxias! Afinal, são duas formas distintas de criação e educação, duas hierarquias de valor, dois seres completamente diferentes e desconhecidos. Não bastasse isso, eles vão tentar viver juntos, e SE AMAR! Chocam-se dois mundos, no mínimo extremamente diferentes, e que tentam conviver. Haha, pensando dessa forma, até parece impossível…

colisao-de-galaxias.jpg

Mas calma lá que estamos nos desviando do assunto! O motivo deste post é justamente o momento em que esta convivência não dá mais.

Talvez seja uma concepção apenas minha, mas creio que uma relação amorosa é constituída de desejo, paixão, troca, cumplicidade, tesão, descobertas, enfim, algo que seja estimulante e prazeroso, em contraposição à vida tediosa e estressante, como um oásis no meio do deserto. Mas também não acho que isso surja e persista naturalmente! Após um certo tempo, o casal precisa TRABALHAR e AGIR pra manter a relação (isso também é assunto pra outros posts). A partir do momento em que algum daqueles elementos não está mais presente, creio que a relação deveria ser destituída da posição de “amorosa”. Pode se tornar uma relação de amizade, solidariedade, ou até fraternidade. Mas amorosa, não. Justamente porque, pra ser amorosa, tem que despertar entusiasmo, interesse e excitação, e se não desperta, deve abrir espaço pra outra relação tomar este posto.

Infelizmente, conheço algumas pessoas que estão nesta situação… Nós, que estamos de fora, percebemos facilmente que aquele relacionamento já atingiu seu ápice, e agora está em plena queda. O pior é que é difícil falar isso pra quem está dentro da relação “vencida”.

Não me refiro aqui somente àqueles casais que vivem brigando ou se desentendendo. Eles também estão incluídos, mas uma parcela que sempre fica excluída são os relacionamentos “mornos”, “mortos-vivos”. E relacionamento zumbi NÃO DÁ! Sim, zumbi porque é algo que todos sabem que já morreu, mas alguém insiste em arrastar por mais algum tempo.

Um dos problemas do “morno” é que ele tende a se tornar frio… e depois gelado… e isso pode destruir o que seria uma bela amizade. Mas o principal problema de arrastar esses zumbis por aí é que você desperdiça novas oportunidades de relacionamentos, os quais poderiam te fazer crescer muito mais do que conseguiu até agora. São novas pessoas, novos mundos, que só estão esperando a sua permissão pra poderem se aproximar e te deslumbrar!

Geralmente, as relações desse grupo de “mortos-vivos” são aquelas de vários anos. Ocorrem mais freqüentemente com namoros muito longos. Com certeza, você vai pensar: “Poxa, mas eu já estou com o fulano há tanto tempo… Nos conhecemos tão bem… Será que vale a pena jogar fora o que temos pra iniciar algo duvidoso?”. O que eu tenho a te falar é: o que quer que você e o fulano tinham, já foi jogado fora. Agora só tem o cadáver daquela relação. Pode até ser uma relação boa… confortável, que você esteja vivendo agora. Mas relacionamentos amorosos não existem pra serem bons. Existem pra serem ÓTIMOS.

Sei que existe o medo de ficar sozinho. E não vou negar, você até pode ficar sozinho por um tempo. Mas o prêmio pela espera vale a pena, eu sei que sim.

Eu mesmo já estive num relacionamento morto-vivo. E sei o quanto dói enterrar o corpo.

Mas a sensação de liberdade que vem depois é impagável!

Se é difícil pra nós, é mais difícil pra eles…

Today’s music: “Lighthouse Family – High

Não há como negar que a vida gay tem vários pontos positivos, como a diversão sem fim, a espontaneidade, etc (que fique claro que não são características exclusivas, hein?).

Mas também tem muitos aspectos negativos, como a discriminação… e mais difícil ainda é a dificuldade de aceitação dentro da própria casa. Eu ainda não sou assumido, então não sei exatamente qual a sensação de ser rejeitado pelas pessoas nas quais você mais confia, desde sempre. Mas imagino que seja muito difícil… E por esse motivo admiro tanto os gays que têm a coragem de se assumir para a família e para o mundo!

Na minha imensa ingenuidade (ou otimismo, quem sabe?), penso que tamanha dificuldade de aceitação do diferente se dê principalmente por falta de informação (ou ignorância, como queiram) sobre o assunto. E principalmente curiosidade sobre pontos menores, como estilo de vida, personalidade, caráter, dentre outras coisas, que tornam o filho gay tão diferente (ou não!) do filho hétero.

Eu imagino que saber da orientação homossexual do filho seja um golpe muito duro, e por vezes inesperado aos pais . Quando um filho nasce homem, por exemplo, os pais esperam, ainda que inconscientemente, que ele corresponda à estrutura heterossexual que a sociedade impõe como “correta” ou “normal”. São esperanças de namoradas, esposa, filhos, família, aceitação social… como se fossem projeções pessoais naquela criança que chega ao mundo. E essas expectativas se reforçam a cada dia, durante anos. Então chega um momento em que, com apenas uma frase, o filho desconstrói por completo todas essas expectativas que os pais projetavam há tanto tempo nele. E acho que é por isso que o choque é tão grande. O mesmo serve para as meninas!

Depois do impacto inicial, surgem curiosidades sobre esse “novo mundo” que se revela diante deles… e que eles se vêem forçados a conhecer. E este é o motivo deste post!

Eu gostaria de me disponibilizar pra responder quaisquer dúvidas que os pais (ou quaisquer outras pessoas) tenham sobre a vida gay, e que se sintam inseguros ou desconfortáveis de perguntarem para os próprios filhos. Pode ser qualquer pergunta mesmo! E sintam-se à vontade pra manter o anonimato. E podem também deixar as perguntas aqui mesmo, nos comentários, ou encaminhar pelo email (duolivng@hotmail.com). Ah, por favor, deixem claro pra onde eu posso encaminhar a resposta, ok?

Não sou médico, nem psicólogo, nem nenhum profissional dessa área. Mas sou alguém que tem a visão de “dentro” do mundo gay. E que talvez possa facilitar a “re-integração” do filho gay na família.

So, ENJOY!

O problema do planejamento

Listening to “Britney Spears – Do somethin’ 

Planejar é algo natural.

Sim, natural, porque está na natureza dos seres.

Vendo o Discovery Channel, percebe-se que até os animais planejam seus ataques e suas formas de defesa.

O problema surge quando o planejador é um ser humano. Não nos contentamos em apenas planejar o futuro… precisamos também imaginar como seria o passado se tudo fosse diferente! Duvido que um leão perca um minuto de sua vida imaginando como seria se ele tivesse comido uma zebra ao invés de um búfalo.

Agora.. qual o grau de absurdo dessa necessidade de revisitar o passado e especular o futuro?

É incrível o tempo que passamos (ou melhor, desperdiçamos) imaginando como as coisas seriam se tivéssemos feito outras escolhas. Quer dizer… você, escolheu, está escolhido! Não importa o quanto você imagine a outra possibilidade, ela não deixará de ser possibilidade até você AGIR na direção dela.

Acho que o point desse problema é o medo de falhar. Ao fazermos nossas escolhas existe sempre a possibilidade implícita de sucesso ou fracasso. E é aqui que reside o erro!

Recentemente eu li num post que “fracasso não é o contrário de sucesso. O fracasso é parte fundamental dele!” Claro! Pois acertar na primeira vez é algo extremamente raro, se não impossível.

E para endossar o suposto “fracasso”, sentamos e imaginamos como seria bom se nossa escolha fosse diferente. É nessa hora em deveríamos nos levantar e agir em prol do que acreditamos ser o certo. A escolha “errada” não foi tão errada assim, pois nos ensinou alguma coisa.

Acho que esta visão facilita muito nossa vida. Ao encararmos a falha como aprendizado, somem as frustrações, somem as tristezas, e o que sobra é conhecimento e know-how de como fazer certo. E esse simples know-how já é um sucesso e tanto, não é verdade?

Enquanto imaginamos a vida alternativa que teríamos com uma simples escolha diferente, nós perdemos um tempo PRECIOSO, um tempo em que poderíamos mudar a vida que tanto nos incomoda.

E, sim. Tudo na vida são escolhas simples … Desde a cor da roupa que você usa no dia, até a escolha da profissão que irá seguir. Afinal, se a partir de algum momento, esta decisão se mostrar equivocada, o que te impede de mudar a partir de agora?

So “…get up out of your seat. Why don’t you do somethin’?”